Um blog de Joaquim Gagliardini Graça

sexta-feira, junho 22, 2007

A minha Ericeira*

A minha Ericeira não é a dos delinquentes encapuzados que por lá vagueiam, dos suburbanos de Domingo, dos brasileiros etilizados nos forrós, do progresso de betão e dos patos-bravos instalados que constroem mamarrachos em cima das praias.
A minha Ericeira não é a dos centros comerciais, das decorações pirosas de fontes, ruas e praças, frutos da ignorância e falta de gosto de um presidente de junta.
A minha Ericeira não é a dos edifícios que caem ou ardem misteriosamente.
A minha Ericeira não é a do parque de Sta. Marta sem ringue de futebol, sem árvores e sem verde, sem identidade e respeito pela tradição de um espaço, com restaurantes e courts de ténis explorados pelos amigos do regime e anfiteatros inúteis.
A minha Ericeira não é a do café Xico, ponto de encontro de muitas gerações, transformado numa loja que tanto podia estar ali como num centro comercial do Cacém.




A minha Ericeira é a da maresia que se respira e entranha, das noites frescas no Verão e da praia do Sul em qualquer altura do ano (com e sem tias).
É a da luz das manhãs, das neblinas, da nortada sempre constante e das marés frias.
A minha Ericeira é a dos jantares tardios até às tantas da manhã, do marisco e do peixe fresco grelhado, dos cafés, dos bares de amigos e da taberna do Quim.
É a do amanhecer à porta do Ouriço, do pequeno-almoço no Clube Naval (iatcheclabe) ou na padaria do jogo-da-bola e das sandes** para levar para a praia a 50 cêntimos no Arvoredo.

Espero que não me destruam esta também.


*Em resposta ao desafio feito no excelente post da Leonor Barros.

**Como muito bem me lembrou o HR.