Não posso deixar de sentir um provincianismo crónico no texto de Vital Moreira - "O Sindicato de Lisboa".
Vamos por pontos:
1) "é irrelevante a evidência de que o aeroporto da Portela é uma espécie de apeadeiro aeronáutico que desmerece mesmo no confronto com aeroportos regionais europeus"
Não sei por que aeroportos tem andado VM. Como mero exemplo olhe para o aeroporto principal (e único) do Luxemburgo e veja que está a exagerar um bocadinho.
No entanto, mesmo que fosse verdade, porque não se opta pela expansão do aeroporto da Portela, acabando de vez com o aeroporto militar?
2) "De nada vale a demonstração de que ele tem os dias contados, por causa das suas limitações físicas e ambientais (nomeadamente o ruído).Pouco importa a ideia de que o país não pode deixar de ter um aeroporto internacional capaz de responder ao prvisível aumento da procura de transporte aéreo e às modernas exigências aeroportuárias"
Mostre os estudos a que teve acesso pois ninguém os viu. O aeroporto da Portela encontra-se, neste momento, a 50% da sua capacidade de tráfego.
Quanto ao ruído, também gostaria de saber onde foi recolher tal informação.
3)"Primeiro, por maiores que sejam as limitações financeiras, continua a ser ao Estado que cabe assegurar as infra-estruturas básicas, que o mercado e a iniciativa privada não garantem"
Não é, manifestamente, o caso do novo aeroporto da OTA.
4) "segundo, uma das razões para a contenção de gastos públicos correntes tem a ver justamente com a necessidade de libertação de meios para investimento, sem o qual não haverá desenvolvimento, nem emprego, nem alívio das dificuldades financeiras actuais"
A libertação de meios devia servir, em primeiro lugar, para baixar impostos e permitir às nossas empresas crescer e criar emprego. Aqui reside a nossa diferença. VM, partilhando a teoria keynesiana, atribui ao Estado funções que deviam ser, na sua grande maioria, do sector privado.
5) "terceiro, neste caso os meios financeiros necessários podem ser proporcionados em grande parte pelo sector privado, dada a rentabilidade da infra-estrutura.
Qual rentabilidade? Quais privados?
A existir rentabilidade será sempre à custa do encerramento do aeroporto da Portela. Logo, VM defende a criação do monopólio da OTA.
Gostaria muito de saber quem são os investidores privados, em que estudos se baseiam e a quem pertencem os terrenos do futuro aeroporto.
Não existe uma entidade directamente implicada no negócio da aviação, companhia aérea ou prestadora de serviços que seja a favor da OTA, já para não mencionar a larga maioria dos utentes que VM desconsidera por serem de Lisboa.
6) "Portugal é reconhecidamente um país de desenvolvimento assimétrico, com enormes disparidades territoriais, cuja superação carece de "acção positiva" do Estado no plano do investimento público regional. Tal circunstância poderia suscitar críticas contra um investimento público da dimensão do novo aeroporto, inevitavelmente situado próximo de Lisboa, sua principal beneficiária. Essa crítica seria demagógica, visto que neste caso o que está em causa são os interesses do país. Mas ao menos que ele não seja enjeitado em função do interesse paroquial de Lisboa em manter um aeroporto doméstico."
Como VM bem sabe Lisboa é a única cidade do país com expressão mundial. É a região mais desenvolvida, que mais produz e a única contribuinte líquida para todas as outras. Não é de agora. Concordo consigo quando diz que somos um país assimétrico, só não acho que isso seja necessariamente mau.
Não consigo compreender como um aeroporto a 50 Km de Lisboa irá beneficiar o país. As assimetrias não irão desaparecer.
Sendo, como afirma, Lisboa a principal beneficiária do novo aeroporto, não lhe causa perplexidade que esta não o queira?
Um blog de Joaquim Gagliardini Graça
sexta-feira, julho 29, 2005
A inveja e a OTA
quinta-feira, julho 28, 2005
quarta-feira, julho 27, 2005
terça-feira, julho 26, 2005
Tal como no arrastão...são poucos!
Escreve a Joana Amaral Dias o seguinte:
Dois terços dos muçulmanos (em 1,6 milhões) consideram deixar o Reino Unido, na sequência dos ataques a Londres. Este número mostra bem como está arreigado o medo de que existam represálias sobre a comunidade muçulmana.
A sondagem também mostra como este grupo tem, efectivamente, sofrido consequências desde o 7 de Julho, com um em cada 5 a afirmar que experimentou hostilidade ou abusos desde essa data. Os registos da polícia indicam 1200 incidentes islamofóbicos nas últimas semanas, se bem que se considerem este número subestimado.
9 em cada 10 recusa completamente a violência e defende a ajuda da sua própria comunidade na identificação de radicais.
Nove em cada dez significa que 160.000 muçulmanos residentes no Reino Unido não recusam a violência. Nada preocupante...
Condeno, obviamente, quaisquer represálias contra a comunidade muçulmana, ainda que estatisticamente pouco relevantes. No entanto, acho necessária uma certa pressão no sentido de a obrigar a denunciar e entregar os fundamentalistas. Está nas suas mãos limpar a má imagem.
segunda-feira, julho 25, 2005
Soares, Freitas, Cavaco, Alegre...
O problema da candidatura de Mário Soares não reside na sua idade. O senhor está fresquinho, actualizado e com ideias muito bem definidas em relação a problemas como a guerra no Iraque, o terrorismo, a globalização e a integração europeia. O problema reside, exactamente, nas suas ideias.
Vê-se que está pronto para voltar ao combate político e que quer ser um PR interventivo, ao melhor estilo do seu segundo mandato e beneficiando do precedente aberto por Jorge Sampaio.
Dois bons exemplos do poder de MS são Freitas e Alegre, candidatos a candidatos, que já apanharam por tabela mal este colocou em hipótese uma eventual candidatura.
Agora coloca-se uma questão: perante um candidato forte como é MS, terá Cavaco Silva coragem para entrar na corrida? As possibilidades de levar outra tareia eleitoral são grandes e uma eventual derrota acabaria de vez com as suas aspirações.
O que todos sabemos é que, independentemente das querelas eleitorais, não deixa de ser impressionante a capacidade de renovação da nossa classe política.
quinta-feira, julho 21, 2005
Despesismo (Aparelho) 1 - 0 Austeridade (Independentes)
Pontos a favor de Campos e Cunha:
- Era contra os investimentos no TGV e no aeroporto da OTA;
- Sabia que são absolutamente necessários novos cortes na despesa.
Pontos contra Campos e Cunha:
- Alinhou no discurso de Sócrates relativamente à ignorância do grave estado das contas públicas;
- Exigiu sacrifícios não se importando com a sua reforma milionária;
- Abdicou, contra a sua vontade e por imposição expressa do PM, de dois terços da dita reforma apenas depois da opinião pública ter tido conhecimento do caso;
- Aumentou os impostos estrangulando de vez uma economia já debilitada;
- Não teve coragem ou força dentro do Governo para cortar a eito na despesa, sendo ambíguo em certos casos como as SCUT;
- Enganou-se nas contas do Orçamento Rectificativo;
- Achava inevitáveis novos aumentos de impostos após as eleições autárquicas;
O ex-Ministro da Finanças sai derrotado em toda a linha pelo aparelho do PS.
Perde com Mário Lino no que diz respeito ao plano de investimentos do Governo. Este não faz ideia de quanto irá custar o novo aeroporto da Ota mas sabe que há demasiados interesses ligados ao PS para que este não aconteça. Só assim se justificam as mentiras que tem vindo a proferir acerca deste assunto, com realce para o novo argumento do excesso de ruído do aeroporto da Portela.
Perde com Jorge Coelho quando prejudica a campanha autárquica do PS anunciando novos impostos.
É substituído por Fernando Teixeira dos Santos, antigo secretário de Estado das Finanças e do Tesouro, nos Governos de António Guterres, um homem do aparelho com experiência despesista comprovada.
Ao sair do Governo recupera parte do seu prestígio e, mais importante que tudo e principal razão da sua saída, volta a receber por inteiro a reforma do banco de Portugal e o ordenado da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
No meio disto tudo o Presidente da República cala e consente, sendo este silêncio compreensível pois a demissão de um Ministro das Finanças é bem menos grave que a de um Ministro do Desporto, da Juventude e da Reabilitação.
